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A parte de Elden Ring que George R. R. Martin escreveu
A FromSoftware encomendou uma mitologia ao escritor, guardou o texto no passado do mundo e construiu por cima tudo que o jogador vê na tela.
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A árvore dourada que o mapa inteiro enxerga
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30 milhões de cópias. Foi o total que a Bandai Namco divulgou para Elden Ring em fevereiro de 2025, três anos depois de o jogo chegar às lojas em 25 de fevereiro de 2022, contando PC, PlayStation e Xbox somados.
O anúncio original tinha acontecido na feira E3 de junho de 2019, num teaser de dois minutos que mostrava pouco do jogo e trazia dois créditos grandes na tela: FromSoftware, o estúdio japonês de Dark Souls, e George R. R. Martin, o escritor americano de As Crônicas de Gelo e Fogo.
A leitura que correu a internet naquela semana foi direta e errada. Muita gente imaginou que Martin tinha escrito o roteiro, os diálogos e as reviravoltas do jogo, como se fosse um livro dele transformado em videogame por um estúdio contratado.
O trabalho encomendado era outro. A FromSoftware pediu ao escritor a história antiga do mundo, o período dos deuses e dos semideuses, tudo que aconteceu séculos antes do momento em que o jogador liga o console e assume o controle de um personagem.
Hidetaka Miyazaki, diretor do jogo, explicou em entrevistas de 2019 que a narrativa jogável se passa muito depois do texto entregue por Martin, e que o escritor teve liberdade para inventar sem se preocupar com combate, mapa ou dificuldade. O material chegou pronto ao Japão e foi tratado como bíblia de referência, não como capítulo a ser encenado.
A encomenda tinha lógica de produção por trás. Um estúdio japonês de trinta pessoas no núcleo criativo sabe desenhar chefe, arma e masmorra em ritmo industrial, e tinha dificuldade histórica em sustentar um mundo grande com genealogia coerente, capítulo por capítulo, sem contradição entre regiões distantes.
Sobrou uma divisão de trabalho pouco comum na indústria: um autor de fantasia montou o panteão e a genealogia, e um estúdio de ação montou tudo que se vê, se escala e se enfrenta em cima daquele panteão, com a fronteira entre os dois desenhada antes da primeira linha de código do mapa.
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I O Jogo de Hoje
O mito veio pronto, o jogo veio depois
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O material que Martin entregou não tinha formato de roteiro. Era um texto de mitologia, com linhagens, guerras antigas e a queda de uma ordem divina, escrito para ser passado inteiro à equipe japonesa e adaptado por ela.
A parte de Martin é a fundação do mundo: a rainha Marika, o anel dourado que dá título ao jogo, os filhos semideuses e a guerra que estilhaçou aquela ordem, tudo em tempo verbal do passado.
Os semideuses carregam a marca do escritor com clareza suficiente para reconhecer de longe. Godfrey, Radahn, Malenia, Miquella, Ranni, Rykard e Morgott formam uma família em conflito aberto pela herança da mãe, e o padrão de rivalidade entre irmãos com exércitos próprios é a matéria-prima que Martin trabalha desde os anos 1990.
A Fragmentação, o evento que quebra o anel e distribui os pedaços entre os filhos, funciona como a linha divisória entre os dois autores. Tudo antes dela veio da encomenda; tudo depois dela é FromSoftware pura.
O que o estúdio inventou por cima
O personagem que o jogador controla não aparece na mitologia entregue. O Maculado é criação da equipe japonesa: um exilado sem posição na hierarquia divina, que volta a um continente arrasado sem missão explicada por ninguém e junta a própria versão dos fatos pelo caminho.
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"A escrita de Martin nos deu a mitologia que envolve o mundo, e nosso jogo se passa muito tempo depois dela."
Hidetaka Miyazaki, em entrevista à IGN Japan, 2019
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O método de contar também é do estúdio. Elden Ring espalha a história em descrição de item, fala solta de personagem, arquitetura e cadáver posicionado, e nunca senta o jogador diante de um resumo do enredo, o que obriga cada um a montar a própria leitura.
A forma do mundo é a maior invenção da casa. Depois de quatro jogos construídos como labirintos fechados, a FromSoftware abriu um mapa contínuo com planície, pântano, planalto e cidade subterrânea, cruzados a cavalo e sem seta apontando o próximo objetivo.
O sistema de orientação nasceu junto. As graças, pontos de descanso espalhados pelo mapa, emitem um facho dourado apontando uma direção possível, e o jogador escolhe seguir ou ignorar, o que substitui a lista de missões dos outros mundos abertos do mercado.
A montaria mudou o ritmo do combate. Torrent, o cavalo espectral que salta em corrente de ar, permite fugir de um inimigo grande demais e voltar horas depois com equipamento melhor, algo que os jogos anteriores do estúdio não ofereciam.
As invocações de espíritos abriram a porta para quem chegava de fora. Com uma cinza de espírito, o jogador convoca aliados controlados pela máquina no meio da luta, e a decisão de colocar ajuda offline num jogo com fama de brutal veio da equipe, não do texto do escritor.
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II Onde Jogar
Elden Ring em 2026, do jogo base ao Nightreign
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A porta de entrada continua sendo o jogo base de 2022, disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series, com a expansão vendida à parte e sem exigir assinatura de nenhum serviço.
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Onde a série está hoje, em cinco linhas:
| Elden Ring: o jogo base custa por volta de 250 reais em tabela nas lojas digitais e cai com frequência para menos da metade em promoção |
| Shadow of the Erdtree: a expansão publicada em 21 de junho de 2024 abre uma região nova e exige ter derrotado dois chefes específicos do jogo base para liberar a entrada |
| Elden Ring Nightreign: o jogo derivado lançado em 30 de maio de 2025, feito para trios e partidas curtas de três dias no tempo do jogo, roda separado e não substitui o original |
| Duração: a campanha principal leva perto de 60 horas em partida direta, e passa das 130 horas para quem visita as masmorras opcionais e a expansão |
| Consoles atuais: o jogo recebeu versão dedicada para PlayStation 5 e Xbox Series, com carregamento rápido, e ganhou edição para o Nintendo Switch 2 em 2025 |
A ordem de entrada é simples. Comece pelo jogo base, jogue até o mapa da região inicial ficar familiar, e só depois pense na expansão, que foi calibrada para personagem já forte e castiga quem chega cedo demais.
A escolha de classe resolve as primeiras horas. O vagabundo abre com escudo bom e armadura pesada, o samurai começa com uma katana e um arco que resolvem quase tudo à distância, e as duas opções seguram muito melhor o começo do que as classes de magia pura.
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O conselho que vale para qualquer versão: quando uma região travar, monte no cavalo e vá para outro lado do mapa, porque o jogo foi construído para ser vencido fora de ordem.
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Insistir no mesmo chefe por horas é o erro mais comum de quem vem de jogos lineares. O mapa tem masmorras pequenas, campos com inimigos de nível baixo e itens espalhados que sobem o personagem em pouco tempo, e a luta impossível de segunda-feira costuma virar rotina na quinta.
O jogo em grupo existe e é opcional. Dois amigos podem jogar juntos com um item de invocação, com limite de área por região, e quem prefere silêncio joga sozinho sem perder nada da história.
Uma nota sobre acessibilidade. Elden Ring não tem seletor de dificuldade, e o ajuste fino vem das cinzas de espírito, do nível do personagem e do equipamento, o que faz o jogo ficar mais fácil pela via da preparação e não pela via do menu.
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