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Ciri assume a espada em The Witcher 4

Depois do tropeço de Cyberpunk 2077, a CD Projekt Red trocou de motor gráfico e pôs a filha adotiva de Geralt no centro do jogo.

Guerreira de cabelo branco com espada num vilarejo nevado

Ciri, a nova bruxa da CD Projekt Red

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8 dias. Foi o intervalo entre a estreia de Cyberpunk 2077, em 10 de dezembro de 2020, e a decisão da Sony de tirar o jogo da loja digital do PlayStation.

A versão para PlayStation 4 travava, apagava texturas e deixava personagens flutuando no meio da rua. A CD Projekt Red, estúdio de Varsóvia, na Polônia, abriu reembolso para quem pediu, e a Sony só devolveu o jogo à vitrine em junho de 2021.

O tropeço doeu porque vinha de quem tinha feito The Witcher 3: Wild Hunt, de 2015, um dos RPGs (jogos de interpretação de papéis, em que o jogador conduz a vida de um personagem) mais premiados da década. O caçador de monstros Geralt de Rívia tinha posto o estúdio polonês no mapa do mundo.

A recuperação levou anos. Atualizações em série consertaram Cyberpunk, a expansão Phantom Liberty saiu em 2023 e o jogo terminou bem avaliado. Dentro do estúdio, a lição foi mais funda: a equipe concluiu que o próprio jeito de fabricar jogos precisava mudar.

A primeira mudança veio em março de 2022. A CD Projekt Red anunciou que aposentaria o REDengine, o motor gráfico próprio (o programa-base que desenha o mundo, calcula a física e move a câmera), e faria o próximo Witcher na Unreal Engine 5, da americana Epic Games.

A segunda apareceu em 12 de dezembro de 2024, na cerimônia The Game Awards, em Los Angeles. O trailer (vídeo de apresentação) de The Witcher 4 abriu num vilarejo coberto de neve e terminou mostrando quem empunhava a espada: Ciri, a filha adotiva de Geralt, agora protagonista.

Para quem acompanhou a série, a escolha fazia sentido. Ciri já tinha sido o motor da história em The Witcher 3, o jogo inteiro girava em torno da busca de Geralt por ela, e o jogador assumia o controle da moça em trechos curtos, sempre em fuga.

Agora ela ganha um jogo inteiro, um mundo novo e uma tecnologia emprestada de outra empresa.

A seção O Jogo de Hoje conta quem é Ciri e o que o trailer revelou da nova caçadora.

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I  O Jogo de Hoje

A bruxa de cabelo branco

A resposta de ontem

Quem protagoniza o próximo jogo da Game Science?

Zhong Kui, o caçador de demônios da tradição chinesa, figura de barba cerrada e olhar feroz pintada nas portas das casas para espantar maus espíritos. A Game Science revelou Black Myth: Zhong Kui em agosto de 2025, durante a Gamescom, em Colônia, com um trailer curto e sem data de lançamento.

The Witcher 4 é o quarto jogo principal da série da CD Projekt Red e o primeiro de uma nova trilogia anunciada pelo estúdio. A protagonista é Cirilla Fiona Elen Riannon, a Ciri, princesa do reino de Cintra, criada por Geralt de Rívia nos livros do escritor polonês Andrzej Sapkowski.

Nos livros, Ciri carrega o Sangue Antigo, uma herança dos elfos que permite atravessar lugares e até mundos num piscar de olhos. Geralt a encontra criança, leva para Kaer Morhen, a fortaleza dos bruxos (a tradução brasileira para os caçadores de monstros de aluguel), e ali ela aprende a lutar.

The Witcher 3 terminava de três jeitos, conforme as escolhas do jogador. Num deles, Ciri vira imperatriz; noutro, some; no terceiro, segue a vida de bruxa, com espada de prata e contrato de monstro. The Witcher 4 parte deste último caminho.

O vilarejo do trailer

O vídeo da apresentação mostra Ciri adulta, com a cicatriz no rosto e um medalhão de bruxa no peito, chegando a um vilarejo pobre do norte. Os moradores preparam uma oferenda: uma menina deixada à criatura da floresta, em troca de paz para a colheita.

A criatura é um Bauk, monstro do folclore eslavo que se alimenta do medo. Ciri enfrenta o bicho num combate de golpes rápidos e esquivas, um estilo mais ágil que o de Geralt, e o trailer termina com a bruxa ferida, de pé, entre camponeses que não sabem se agradecem ou temem.

Ciri luta mais leve e mais rápida que Geralt, e o jogo inteiro foi desenhado em volta desse corpo novo.

O que já se sabe

Em junho de 2025, uma demonstração técnica revelou a região de Kovir, um reino do extremo norte citado nos livros e nunca visitado nos jogos anteriores. A cena mostrou Valdrest, uma cidade portuária cheia de gente, mercado, cavalos e barcos.

Ciri apareceu montada num kelpie, cavalo de origem élfica que nos livros pertence a ela. O animal reagia ao terreno, desviava das pessoas e escorregava na lama, detalhes que o estúdio usou como prova do salto técnico.

Geralt também estará no jogo. Doug Cockle, o ator que dubla o bruxo em inglês desde 2007, confirmou a participação em entrevistas, mas o papel dele segue em segredo. A história completa, o vilão e a extensão do mapa também não foram revelados, porque a CD Projekt Red ainda não mostrou uma demonstração jogável.

 
 

II  Onde Jogar

Nenhum console confirmado

The Witcher 4 ainda não tem data, preço nem lista de plataformas. A CD Projekt avisou aos investidores, em 2025, que o jogo não chega às lojas em 2026, e desde então trata o lançamento como projeto de longo prazo.

A única pista de hardware veio da demonstração técnica de junho de 2025. Ela rodou num PlayStation 5 comum, a 60 quadros por segundo (a quantidade de imagens desenhadas a cada segundo, o que define a fluidez do movimento), e a Epic Games fez questão de dizer que era o console de prateleira, sem versão turbinada.

Mesmo assim, as duas empresas avisaram que a cena não era trecho do jogo final. Ela serviu para mostrar ferramentas novas da Unreal Engine 5, e Ciri entrou ali como atriz convidada.

Enquanto ciri não chega

O caminho mais direto até ela passa por The Witcher 3: Wild Hunt. A Edição Completa reúne o jogo de 2015 e as duas expansões, Hearts of Stone, de 2015, e Blood and Wine, de 2016, e roda no PlayStation 5, no Xbox Series, no computador e no Nintendo Switch.

Em dezembro de 2022, a CD Projekt Red soltou uma atualização gratuita para os consoles novos. Ela trouxe gráficos refeitos, carregamento mais curto e uma missão extra inspirada na série da Netflix.

A campanha principal ocupa dezenas de horas, e as expansões dobram a viagem. Blood and Wine leva Geralt a Toussaint, um ducado ensolarado de vinhedos e cavaleiros, bem longe do norte gelado de Ciri.

Cyberpunk 2077 também virou outro jogo. Com a atualização 2.0 e Phantom Liberty, ambas de 2023, ele roda no PlayStation 5, no Xbox Series, no computador e, desde junho de 2025, no Nintendo Switch 2.

Hoje, quem quer entender Ciri começa por The Witcher 3; quem quer ver o estúdio recuperado joga Cyberpunk.

Para chegar a ciri com a história em dia

1. Jogue The Witcher 3 até o final e escolha os passos que levam Ciri ao ofício de bruxa.

2. Faça Blood and Wine: a expansão fecha a história de Geralt antes da troca de protagonista.

3. Leia O Último Desejo, de 1993, o primeiro livro de contos de Sapkowski com Geralt.

4. Siga com A Saga do Bruxo, os cinco romances em que Ciri cresce, foge e escolhe o próprio caminho.

 

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III  Bastidores

O motor emprestado da Epic

A troca de motor foi anunciada em 21 de março de 2022, junto com um acordo de vários anos entre a CD Projekt Red e a Epic Games. Na mesma mensagem, o estúdio confirmou que um novo Witcher estava em produção, com o codinome Polaris.

O motivo era prático. O REDengine exigia que o estúdio reconstruísse as próprias ferramentas a cada jogo, e quem chegava à equipe precisava aprender um programa usado em um lugar só. A Unreal Engine 5 já é conhecida por milhares de desenvolvedores do mundo.

O acordo também previa troca de mão dupla. Engenheiros da CD Projekt Red passaram a trabalhar junto com a Epic em recursos para mundos abertos (mapas enormes, sem portas nem carregamento entre regiões), e o que eles criam entra na Unreal para qualquer estúdio usar.

A equipe de polaris

O diretor do jogo é Sebastian Kalemba, que trabalhou em The Witcher 3 como diretor de cinemáticas, as cenas de cinema entre as partidas. A produção executiva é de Małgorzata Mitręga, também veterana da série.

Kalemba explicou em entrevistas da época do anúncio que a meta era fazer o jogador sentir a vida de Ciri desde o primeiro minuto, sem precisar ter jogado os capítulos de Geralt. O estúdio quer um começo que funcione para quem nunca pegou um controle da série.

O núcleo da equipe fica em Varsóvia. Em 2025, a CD Projekt informou que The Witcher 4 já era o projeto com mais gente da empresa, à frente da sequência de Cyberpunk, ainda em fase inicial.

A CD Projekt Red trocou independência técnica por velocidade e por um time maior, e apostou nessa troca o futuro da série.

Uma história de motores

O REDengine nasceu com The Witcher 2: Assassins of Kings, em 2011, e cresceu até sustentar o mundo aberto de The Witcher 3 e a cidade de Night City em Cyberpunk 2077.

A mudança para a Unreal também mexe com a memória de quem jogou. A luz, o vento nas árvores e o peso da armadura vão ter outra assinatura, e a equipe declarou que pretende manter o tom sombrio e eslavo da série mesmo com a tecnologia emprestada.

O motor nunca foi uma tradição da casa desde o começo. O primeiro jogo da série, lançado para computador em 2007, saiu de um estúdio pequeno e sem tecnologia própria, que alugou o motor de outro fabricante e reescreveu trechos inteiros do código para contar a história de Geralt.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Qual motor gráfico de outra empresa fez rodar o primeiro The Witcher, de 2007?

 
 
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