|
|
|
1 leitor escolheu Disco Elysium. Sai em 26/09.
|
| {{subiu_orn | }} |
{{subiu_num | }} |
{{subiu_orn | }} |
{{subiu_caps | }}
{{subiu_linha | }}
|
|
Cuphead foi desenhado à mão, quadro a quadro, por dois irmãos
Chad e Jared Moldenhauer hipotecaram a casa para terminar o jogo, que saiu em 2017 e vendeu um milhão de cópias em duas semanas.
|
Xbox e PC, 2017: desenho feito à mão
|
| ▼ |
| |
|
Um milhão de cópias em duas semanas. Foi quanto Cuphead vendeu depois de chegar ao Xbox One e ao PC em 29/09/2017, segundo o próprio Studio MDHR, um estúdio canadense que até pouco antes cabia numa sala.
O número surpreendeu porque o jogo parecia impossível de existir. Cada personagem, cada chefe e cada explosão foi desenhado a lápis no papel, folha por folha, e depois pintado no computador, no estilo dos desenhos animados americanos da década de 1930.
Por trás do projeto estavam dois irmãos de Ontário, Chad Moldenhauer e Jared Moldenhauer. Os dois cresceram jogando Contra e Gunstar Heroes e assistindo às fitas antigas dos irmãos Fleischer, criadores de Betty Boop e do Popeye animado. Em 2010 decidiram juntar as duas paixões num jogo só.
A primeira versão era pequena: uma sequência de lutas contra chefes, sem fases entre elas. Chad desenhava, Jared cuidava do design e da programação, e Maja Moldenhauer, esposa de Chad, virou a produtora que organizava as pilhas de papel.
Em junho de 2014, um trecho de poucos segundos apareceu na apresentação da Microsoft na E3 (a maior feira de videogames da época, em Los Angeles). A reação foi imediata, e veio junto uma pressão que o estúdio não previa: o público pedia um jogo maior do que aquele que os irmãos tinham planejado.
Para crescer, faltava dinheiro. Jared deixou o emprego, a equipe contratou animadores, e os irmãos hipotecaram a casa para pagar a produção. O lançamento, previsto para 2015, escorregou dois anos, enquanto as fases de corrida e tiro entravam no projeto e cada chefe ganhava novas formas.
O jogo saiu, ganhou prêmios e virou série da Netflix. Mas o que fez tanta gente comprar e sofrer com ele está dentro da partida, na luta contra chefes que parecem saídos de um cinema de 1936.
Continue lendo ↓
|
|
|
|
I O Jogo de Hoje
Uma aposta perdida com o Diabo
|
|
Cuphead, criado pelos irmãos Chad e Jared Moldenhauer, começa numa mesa de cassino. Os protagonistas, Cuphead e o irmão Mugman, são duas xícaras vivas que moram na Ilha Inkwell com o Vovô Chaleira, o guardião da dupla. Numa noite de sorte, entram no cassino do Diabo e ganham rodada atrás de rodada.
O dono da casa propõe uma aposta final: se os dois vencerem, levam o cassino inteiro; se perderem, entregam a alma. Cuphead joga os dados e tira cobra, o pior resultado possível. Para salvar a própria pele, a dupla aceita um trato: cobrar as almas dos devedores do Diabo espalhados pela ilha.
Cada devedor é um chefe. Há uma dupla de sapos boxeadores, um dirigível pilotado por uma abelha, um palhaço num parque de diversões e uma cenoura que ataca com raios mentais. Ao todo, o jogo original tem 19 chefes principais divididos em três ilhas, mais o cassino no fim. Cada ilha é um mapa desenhado visto de cima, com caminhos, pontes e personagens que dão dicas ao passar.
A luta é o jogo. Cada chefe muda de forma duas ou três vezes durante a mesma batalha, e a barra de vida fica escondida até o jogador perder: só na tela de derrota aparece o quanto faltava para vencer.
O aparo rosa
O controle é curto: pular, atirar, dar um avanço rápido e aparar. O aparo (parry, em inglês) acontece quando o jogador pula em cima de um objeto cor-de-rosa no meio do ataque inimigo. O personagem não leva dano: quica e enche a barra de golpe especial.
Esse detalhe muda a leitura da tela. Um projétil rosa, que parece perigo, vira oportunidade, e o jogador aprende a buscar exatamente o que um jogo comum ensinaria a evitar.
Entre as lutas, há fases de corrida e tiro, no estilo dos jogos de ação de fliperama, onde o objetivo é atravessar o cenário recolhendo moedas escondidas. As moedas compram armas novas na loja do Porkrind, um porco comerciante, e amuletos que dão uma vida extra ou um aparo automático.
A dificuldade virou assunto desde a primeira semana. O jogo cobra memória: cada chefe tem padrões fixos, e quem morre dez vezes na mesma luta volta na décima primeira sabendo onde a cenoura vai atirar. A vitória pesa tanto porque foi aprendida na raça.
A partida pode ser jogada a dois no mesmo sofá, com Mugman no segundo controle. Quando um cai, vira um fantasma que sobe pela tela, e o parceiro pode trazê-lo de volta aparando o espírito antes que ele suma.
|
|
|
|
|
II Onde Jogar
Do Xbox ao Switch, com um capítulo novo
|
|
Cuphead saiu primeiro no Xbox One e no Windows, em 2017, com a Microsoft como parceira de publicação. Em 2018 ganhou versão para Mac, em abril de 2019 chegou ao Nintendo Switch e em julho de 2020 ao PlayStation 4, que hoje também roda no PlayStation 5.
Hoje o jogo está na Steam, na GOG, nas lojas digitais da Microsoft, da Sony e da Nintendo, e entra e sai do catálogo do Game Pass. Na Steam brasileira, o preço cheio fica na faixa de R$ 37.
A campanha principal leva de dez a quinze horas para um jogador comum, e o tempo varia muito com a paciência de cada um. Existe um modo simples, que corta fases dos chefes, mas só o modo normal libera a luta final contra o Diabo.
Quem termina a campanha destrava o modo Especialista, em que os chefes ficam mais rápidos e mais agressivos. Cada luta também dá nota, de D a S, pelo tempo, pelos aparos e pelo dano sofrido. Conseguir S em todos os chefes virou desafio próprio na comunidade, com vídeos de gente vencendo sem levar um golpe.
Em 2022, uma nova ilha
Em 30 de junho de 2022 saiu The Delicious Last Course (O Delicioso Último Prato), expansão vendida à parte que acrescenta uma quarta ilha e seis chefes novos. Ela traz uma personagem jogável, Ms. Chalice, uma taça fantasma com pulo duplo e avanço que já apara sozinho.
A expansão atrasou várias vezes. O anúncio veio na E3 de 2018, e o Studio MDHR adiou a data em mais de uma ocasião para não repetir o ritmo de trabalho do jogo principal, segundo o próprio estúdio em comunicados da época.
Para quem prefere assistir, a Netflix lançou em fevereiro de 2022 a série animada The Cuphead Show!, com três temporadas. A série foi feita em animação digital, mas mantém o traço de mangueira de borracha dos personagens, com braços e pernas que se dobram sem articulação.
A trilha sonora também vive fora do jogo. Ela está nos serviços de música e já saiu em disco de vinil, com big band (orquestra de jazz com metais e percussão), piano solo e quarteto vocal gravados em estúdio.
|
| |
|