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Dwarf Fortress, lançado pela Bay 12 Games em 2006, coloca o jogador no comando de sete anões que chegam a um terreno virgem com uma carroça, algumas ferramentas e a missão de cavar uma fortaleza na montanha. Antes da chegada, porém, o jogo cria um mundo inteiro do zero.
A geração de mundo dura de alguns segundos a vários minutos. Nesse tempo, o programa ergue montanhas, abre rios pela erosão, define o clima de cada região e espalha civilizações de anões, elfos, humanos e goblins. Depois, simula séculos de história: guerras, casamentos, heróis, deuses inventados e bibliotecas inteiras de livros fictícios.
Cada anão com uma biografia
Cada anão nasce com nome, família, gostos e memórias. Um pode adorar queijo de cabra e odiar aranhas; outro pode guardar luto por um irmão perdido numa invasão anterior. As emoções se acumulam ao longo dos meses e mudam o comportamento de cada morador.
Quando o humor despenca, o anão pode entrar em fúria, quebrar móveis, brigar com vizinhos ou afundar na tristeza. Um anão triste contagia os outros, e um funeral mal feito pode puxar a fortaleza inteira para baixo, num efeito em cascata apelidado pelos fãs de espiral da birra (tantrum spiral, no original em inglês).
Em Dwarf Fortress, o fracasso também conta história.
Perder é divertido
O lema não oficial da comunidade é Losing is Fun (perder é divertido). Nenhuma fortaleza dura para sempre: ela cai por fome, por enchente, por uma criatura saída das profundezas ou por um erro de engenharia do próprio jogador. O fim faz parte do plano, e cada queda vira uma crônica.
O exemplo mais famoso é Boatmurdered, partida coletiva jogada em 2007 por usuários do fórum Something Awful. Cada participante comandava a fortaleza por um ano do jogo e passava o arquivo adiante, contando o que acontecia. A colônia acabou cercada por elefantes, incendiada e afogada em lava, e o relato correu a internet.
Três jeitos de jogar
Além do modo Fortaleza, o jogo tem o modo Aventura, em que o jogador controla um único herói andando pelo mesmo mundo gerado, e o modo Lendas, uma enciclopédia navegável com toda a história simulada: quem venceu cada guerra, quais cidades caíram, quais artefatos se perderam.
Um herói do modo Aventura pode visitar as ruínas de uma fortaleza abandonada no modo Fortaleza e encontrar ali os objetos e os túmulos deixados pela colônia anterior. O mundo guarda a memória das partidas.
Em 2012, o Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA, incluiu Dwarf Fortress entre os primeiros 14 jogos da sua coleção permanente, ao lado de Pac-Man, Tetris e The Sims.
A escolha do museu destacou a geração de mundo: cada partida começa num planeta único, com nomes, mapas e histórias inéditas, e nenhum jogador vê o mesmo continente duas vezes.
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