|
|
|
100% escolheram Onde jogar: os catalogos. Sai em 20/09.
|
| {{subiu_orn | }} |
{{subiu_num | }} |
{{subiu_orn | }} |
{{subiu_caps | }}
{{subiu_linha | }}
|
|
GTA III atrasou 20 dias e mudou de cara antes de chegar ao PlayStation 2
A DMA Design trocou a vista de cima pelo 3D, empurrou o lançamento do dia 2 para 22 de outubro de 2001 e repintou a polícia de Liberty City.
|
Liberty City, 2001: a cidade vista do carro
|
| ▼ |
| |
|
20 dias. Foi o tamanho do adiamento que a Rockstar Games impôs a Grand Theft Auto III em outubro de 2001, empurrando o lançamento do dia 2 para o dia 22 com o disco de PlayStation 2 praticamente pronto.
O motivo não estava no código. O jogo se passa em Liberty City, caricatura declarada de Nova York, e chegaria às lojas poucas semanas depois dos ataques ao World Trade Center. A editora segurou a prensagem e mandou o estúdio escocês DMA Design revisar cada detalhe capaz de soar como provocação numa cidade em luto.
A viatura da polícia, pintada de azul e branco no molde da corporação nova-iorquina, saiu repintada de preto e branco. Falas de pedestres foram cortadas do banco de áudio, a arte da capa perdeu um avião que passava rasante entre prédios e um personagem chamado Darkel, que daria missões de caos urbano ao jogador, ficou de fora da versão final. A imprensa da época chegou a tratar o adiamento como o fim do projeto, porque jogo grande que perde a janela de outubro costuma cair no ano seguinte.
Enquanto a Rockstar mexia nesses detalhes, a DMA vinha de um problema bem maior, resolvido meses antes. As duas primeiras edições da série eram vistas de cima, com carros do tamanho de uma moeda circulando num mapa chapado, e a equipe de Dundee levou anos tentando descobrir como levar aquela liberdade para uma câmera colada no chão sem quebrar o ritmo da perseguição. O salto para a terceira dimensão era o assunto fixo do estúdio desde o fim dos anos 1990, e cada teste esbarrava na mesma parede: com o carro visto de trás, o jogador deixa de enxergar a esquina seguinte e a cidade precisa avisar por conta própria o que vem pela frente.
O que saiu no dia 22 foi um jogo que ninguém tinha jogado antes: uma cidade inteira aberta desde o primeiro minuto, câmera atrás do carro, rádio tocando na frequência escolhida pelo jogador e nenhuma tela de carregamento entre uma rua e outra.
Continue lendo ↓
|
|
|
|
I O Jogo de Hoje
Um assalto que dá errado e uma cidade aberta na sequência
|
|
Grand Theft Auto III abre com um assalto a banco que sai do controle. O protagonista, um homem calado que o manual e os jogos seguintes chamam de Claude, leva um tiro da própria parceira, Catalina, e acorda algemado dentro de um comboio a caminho da penitenciária.
O comboio atravessa a ponte Callahan quando uma explosão abre o furgão. Claude escapa ao lado de um preso apelidado 8-Ball, especialista em explosivos, e os dois somem num esconderijo do bairro portuário de Portland. A partir daí ninguém mais dirige o jogador pela mão.
Liberty City tem três ilhas: Portland, com docas e oficinas; Staunton Island, com os arranha-céus e o hospital; e Shoreside Vale, com os subúrbios e o aeroporto. As pontes começam interditadas e vão abrindo conforme a história avança, o que deixa a cidade grande sem deixar o jogador perdido no primeiro dia.
A câmera fica atrás do carro, a cidade carrega sem tela de espera e qualquer veículo parado no semáforo serve como próximo transporte. Sair do enredo e simplesmente dirigir ouvindo rádio virou, ali, uma forma legítima de jogar.
O que a vista de cima não permitia
Nas edições anteriores o jogador via a rua como um mapa. Com a câmera baixa, o para-brisa passou a esconder o cruzamento seguinte, a perseguição ganhou surpresa e o pedestre virou uma pessoa com altura, roupa e reação, coisa que um sprite de dez pixels nunca entregou.
As missões chegam por telefone público e por chefes de quadrilha. Claude trabalha para a família Leone, comandada por Salvatore, e passa por Luigi Goterelli, dono de casa noturna, por Joey Leone, mecânico, e por Toni Cipriani, cobrador de proteção do bairro italiano. Depois a lista se abre para a Yakuza, para o cartel colombiano, para os Yardies e para as tríades, e os serviços de um grupo azedam a relação com o outro.
|
"Sou uma garota ambiciosa, Claude. E você é só peixe pequeno."
Catalina, personagem de Grand Theft Auto III, DMA Design, 2001
|
A polícia funciona por estrelas, de uma a seis. Uma estrela rende um guarda irritado a pé; seis colocam blindado e helicóptero na cola. Para zerar a procura existe a oficina Pay 'n' Spray, que repinta o carro por uma taxa, e o jogo inteiro gira em torno de decidir se vale a pena entrar na fila do repintado ou correr mais três quarteirões.
Espalhados pelo mapa estão 100 pacotes escondidos. Cada dez entregam uma arma nova no esconderijo, de pistola a lança-foguetes, e a caça a eles levou muita gente a subir em telhado de prédio antes de terminar a história principal.
Claude não fala uma linha sequer durante toda a aventura. A DMA deixou o silêncio de propósito, e o vazio foi preenchido pelas estações de rádio, com locutores tagarelas e propagandas falsas que contam mais sobre Liberty City do que qualquer diálogo do protagonista.
|
|
|
|
|
II Onde Jogar
Do disco de PlayStation 2 ao pacote remasterizado
|
|
A porta de entrada hoje é Grand Theft Auto: The Trilogy, The Definitive Edition, pacote lançado em 11 de novembro de 2021 com GTA III, Vice City e San Andreas remasterizados pelo estúdio norte-americano Grove Street Games.
|
Onde o jogo está em 2026:
| Original: publicado em 22 de outubro de 2001 para PlayStation 2, com versão de computador com Windows em maio de 2002 e de Xbox em 31 de outubro de 2003 |
| Console atual: a trilogia remasterizada roda em PlayStation 4 e 5, Xbox One e Series e Nintendo Switch, com mira melhorada, iluminação refeita e mapa com ponto de destino |
| Computador: a trilogia saiu primeiro só na loja própria da Rockstar e voltou para Steam e Epic Games Store em 2023, já com as correções aplicadas |
| Celular: a Rockstar publicou a conversão de décimo aniversário para iPhone e Android em dezembro de 2011; desde dezembro de 2023 a trilogia remasterizada chega pelo aplicativo da Netflix, sem cobrança separada para quem assina |
| Preço e duração: a trilogia fica na faixa dos sessenta dólares em tabela e costuma aparecer bem abaixo nas promoções; o site HowLongToBeat aponta cerca de 16 horas para fechar a história de GTA III e perto de 30 horas para ver tudo |
A remasterização chegou com fama ruim merecida. O lançamento de 2021 trouxe chuva que embaçava a tela inteira, rostos deformados e travamentos, e a Rockstar tirou o pacote do ar por alguns dias. As atualizações seguintes consertaram a maior parte, e a versão que se compra agora não é a mesma que irritou a internet no primeiro fim de semana.
As edições originais saíram das lojas digitais em 2021, quando a trilogia nova entrou no catálogo. Quem tem o disco de PlayStation 2, o de Xbox ou a cópia antiga de computador na biblioteca continua com o jogo funcionando; quem chega agora encontra só a remasterizada à venda.
|
O ajuste que mais rende para quem começa: salve no esconderijo depois de cada missão concluída, porque o jogo de 2001 não guarda progresso sozinho, e uma sequência de três serviços perdida por uma batida de carro é o motivo número um de gente largar Liberty City na primeira semana.
|
As versões remasterizadas mantiveram quase toda a trilha original, com poucas faixas ausentes por licença vencida.
Nada aqui exige ter jogado as edições de cima. Quem terminar encontra Vice City, de 2002, ambientado numa Miami de neon em 1986, e San Andreas, de 2004, com três cidades e um mapa que ainda hoje assusta pelo tamanho.
|
| |
|