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Panzer Dragoon Saga, o RPG de 4 discos sem código-fonte

A Team Andromeda terminou o RPG do Saturn em 1998, foi desfeita logo depois, e a Sega nunca mais achou o material de trabalho.

Jovem caçador montado num dragão azul sobrevoando ruínas antigas num deserto ao entardecer

O dragão de Edge, no Sega Saturn de 1998

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29 de janeiro de 1998. Foi o dia em que Panzer Dragoon Saga chegou às lojas do Japão, em quatro discos para o Sega Saturn, o console de 32 bits da Sega.

Quatro discos era muito para um videogame daquele tempo. A maioria dos jogos de Saturn cabia num só. Este precisava de espaço para cidades em três dimensões, cenas animadas, vozes gravadas e um dragão capaz de mudar de forma no meio da batalha.

O lançamento chegou tarde. Em 1998, a Sony vendia o PlayStation aos milhões, e a própria Sega já preparava o Dreamcast, o console seguinte. O Saturn ainda tinha fãs fiéis no Japão, mas no Ocidente as lojas tiravam o aparelho das prateleiras para abrir espaço aos concorrentes.

Assim, o jogo saiu nos Estados Unidos e na Europa em quantidade pequena, poucos meses depois da estreia japonesa. Quem não comprou nas primeiras semanas muitas vezes não achou mais. As revistas da época elogiaram o RPG, e muita gente passou anos ouvindo falar de um clássico sem nunca ter visto a caixa, nem numa loja, nem na casa de um amigo.

Com o tempo, a raridade virou lenda. A caixa americana original passou a circular em leilão de colecionador por preço de console novo, e os fãs começaram a pedir um relançamento a cada geração de aparelho.

O relançamento nunca saiu, e o motivo tem pouco a ver com vontade. Depois da estreia, a equipe criadora foi desfeita, cada programador seguiu para outro projeto da Sega, e o material de trabalho se espalhou. Anos depois, a empresa admitiu ter perdido o código-fonte, o texto de programação necessário para refazer o jogo em outra máquina.

A seção O Jogo de Hoje apresenta o caçador, o dragão e o sistema de batalha responsável por pôr o Saturn no mapa dos RPGs.

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I  O Jogo de Hoje

O caçador e o dragão

Panzer Dragoon Saga é o terceiro jogo da série Panzer Dragoon, criada pela Team Andromeda, estúdio interno da Sega em Tóquio. Os dois primeiros, de 1995 e 1996, eram jogos de tiro sobre trilhos (a câmera avança sozinha por um percurso fixo e o jogador só mira e atira), sempre nas costas de um dragão.

Para o terceiro, a equipe quis contar uma história longa. Trocou o percurso fixo por regiões abertas para explorar e transformou o tiro em RPG (jogo de interpretação de papéis, em que o jogador conduz o herói por uma narrativa longa e o fortalece a cada batalha).

O caçador sem unidade

O protagonista se chama Edge, um jovem mercenário contratado para vigiar uma escavação do Império, a potência militar dona do planeta. A tropa dele desenterra uma garota adormecida dentro de uma ruína antiga. Um ataque surpresa destrói a unidade, Edge cai num abismo e acorda sozinho.

Quem o salva é um dragão. Edge passa o jogo inteiro atrás dos soldados responsáveis pelo ataque e descobre pelo caminho o nome da garota: Azel, uma criatura fabricada pela tecnologia da Era Antiga, a civilização desaparecida cujas ruínas e máquinas cobrem o mapa.

A relação dos dois vai do medo à confiança. Azel começa como inimiga, aparece em lados alternados da guerra e termina como a personagem central do final.

No caminho, Edge cruza com Craymen, um comandante do Império rebelado contra o próprio governo, e com a caravana, um povoado nômade que serve de base entre uma missão e outra. A história cobre guerra, perda e lealdade sem pressa, em cenas curtas entre as batalhas.

A batalha em quatro zonas

O combate mistura turno e tempo real. Em volta do inimigo, a tela marca quatro zonas: frente, costas e os dois lados. O dragão voa de uma zona para outra enquanto três barras de ação enchem sozinhas.

Cada barra cheia libera um movimento: tiro do dragão, disparo da arma de Edge, magia ou item. Os chefes giram e mudam de ponto fraco, e o radar mostra em cor quais zonas estão perigosas. Ficar na zona segura enquanto as barras enchem é metade da estratégia.

O dragão ainda muda de corpo. O jogador ajusta ataque, defesa, agilidade e poder espiritual numa grade, e a criatura troca de asas e de silhueta a cada ajuste.

Panzer Dragoon Saga transformou o voo de um jogo de tiro em xadrez aéreo.

A trilha e o idioma

A trilha sonora foi composta por Saori Kobayashi e Mariko Nanba, com orquestra sintetizada e coro. Os personagens não falam japonês nem inglês: as vozes usam um idioma inventado pela equipe para a série, e o texto chega por legenda.

O jogo dura em torno de 20 horas, pouco para um RPG da época. Os quatro discos guardavam cenas animadas, cidades e música, e o jogador trocava de disco a cada capítulo.

 
 

II  Onde Jogar

Só no disco do Saturn

Panzer Dragoon Saga só roda oficialmente no Sega Saturn, nos discos originais de 1998. A Sega nunca lançou o jogo em loja digital, coletânea ou console em miniatura.

Preço hoje: sem versão à venda; os discos originais circulam só no mercado de colecionador.

A versão japonesa, chamada Azel: Panzer Dragoon RPG, é a mais fácil de achar, porque saiu em maior quantidade. Os menus e as legendas estão em japonês, e as vozes seguem no idioma inventado da série.

A versão europeia roda no PAL (o padrão de imagem das televisões europeias da época), com a tela um pouco mais lenta e faixas pretas em cima e embaixo. A americana é a preferida dos colecionadores, por juntar o texto em inglês à velocidade original.

O RPG mais procurado do Saturn nunca ganhou cópia oficial fora do disco de 1998.

A série ainda no ar

Quem quer conhecer o universo sem o disco de 1998 tem dois caminhos oficiais.

• Panzer Dragoon: Remake, de 2020, refaz o primeiro jogo da série com gráficos novos. Saiu para Nintendo Switch, PC e consoles da Sony e da Microsoft.

• Panzer Dragoon Orta, de 2002, foi feito para o primeiro Xbox e roda no Xbox One e no Xbox Series pela compatibilidade retroativa (o recurso da Microsoft que abre jogos antigos em consoles novos).

• Orta guarda ainda um bônus: o primeiro Panzer Dragoon, de 1995, destravado dentro do próprio jogo.

Para começar no saturn

• Comece pelo disco 1 e deixe os outros três por perto: o jogo pede a troca no fim de cada capítulo.

• Leve o dragão para as costas do inimigo antes de atacar, de olho na cor do radar.

• Suba a agilidade na grade de forma quando a luta ficar lenta: ela faz as barras de ação encherem mais rápido.

• Volte ao acampamento da caravana entre as missões para comprar itens e conversar com os moradores.

 

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III  Bastidores

A equipe desfeita

A Team Andromeda nasceu em 1993 dentro da Sega, montada em torno de Yukio Futatsugi, diretor do primeiro Panzer Dragoon, com a missão de criar jogos em três dimensões para o Saturn.

O primeiro Panzer Dragoon saiu em 1995, e Panzer Dragoon Zwei, em 1996. Saga começou a ser feito em paralelo a Zwei, com uma equipe maior e um prazo longo.

Um rpg num console difícil

O Saturn tinha dois processadores principais, e programar em três dimensões para ele exigia dividir o trabalho entre os dois chips. A máquina era forte em imagem plana, de duas dimensões, e a equipe precisou espremer dela cidades, cavernas e campos abertos em três.

O projeto atrasou mais de uma vez. Quando ficou pronto, o Saturn já perdia espaço no Ocidente, e a Sega concentrava os planos no console seguinte.

A equipe terminou o RPG e foi dispersada logo depois do lançamento.

O fim da team andromeda

Em 1998, a Sega desfez a Team Andromeda. Parte do pessoal seguiu para a Smilebit, outro estúdio da empresa, onde nasceram Jet Set Radio e, anos depois, Panzer Dragoon Orta.

Futatsugi foi para outros projetos. Mais tarde fundou a Grounding, estúdio independente, e dirigiu Crimson Dragon, de 2013, para o Xbox One, um jogo de tiro com dragões herdeiro direto da série.

O código perdido

Quando os fãs pediram uma versão de Saga para consoles mais novos, a Sega respondeu não ter como atender. Representantes da empresa explicaram em entrevistas, ao longo dos anos, que o código-fonte do jogo não estava mais nos arquivos. Os discos de lançamento existem; o material de trabalho de onde eles saíram, não.

Sem o código, um relançamento exigiria reconstruir o jogo a partir do disco final, quase como refazer do zero. O motivo exato da perda nunca foi detalhado em público: a Sega não disse se os arquivos foram apagados, guardados numa mídia estragada ou levados sem registro na dispersão da equipe. O que se sabe é o momento: o material saiu de circulação quando a Team Andromeda deixou de existir.

O jogo seguiu vivo pelos fãs. Programadores voluntários tocam um projeto de reconstrução do código a partir dos próprios discos, peça por peça, para fazer Panzer Dragoon Saga rodar em computador moderno.

Na próxima edição: outro RPG dos anos 1990 e a equipe que o terminou contra o relógio.

 
 
Quiz da edição

Por que a Sega nunca relançou Panzer Dragoon Saga em outra plataforma?

APorque perdeu o processo de direitos autorais da trilha sonora
BPorque a equipe responsável foi desfeita e o código-fonte se perdeu
CPorque o jogo vendeu mal demais para justificar o custo de uma nova versão
DPorque a Sega reservou a série só para consoles da Microsoft

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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