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Mother 2 nasceu da cabeça de Shigesato Itoi, redator publicitário de Tóquio que, nos anos 1980, já assinava campanhas de lojas de departamento e letras para cantores japoneses. Em 1989 ele lançou Mother, para o Famicom, e a Nintendo encomendou uma continuação logo depois.
Itoi queria um RPG passado no mundo contemporâneo. Na época, o gênero morava em reinos medievais, no molde de Dragon Quest, e ele achava graça em trocar a espada pelo taco e a poção pela pizza.
O mundo de ness
O protagonista se chama Ness, um garoto da cidade de Onett. Numa noite, um meteoro cai no morro atrás da casa dele. Dentro da cratera, um inseto vindo do futuro avisa que uma entidade chamada Giygas vai destruir o mundo, e que Ness e três amigos ainda desconhecidos podem detê-la.
Os amigos aparecem pelo caminho. Paula é uma menina com poderes psíquicos. Jeff é um inventor de óculos que estuda num internato. Poo é o príncipe de um reino oriental e treina artes marciais.
As cidades seguem uma contagem: Onett, Twoson, Threed e Fourside, trocadilhos com one, two, three e four (um, dois, três e quatro, em inglês).
O combate é por turnos, cada lado ataca na sua vez. A vida dos personagens aparece num contador giratório, como o hodômetro de um carro: o dano cai aos poucos, e um jogador rápido consegue curar o herói antes de o número chegar a zero.
Os inimigos andam pelo mapa à vista, sem emboscada surpresa. Quando o grupo fica muito forte, encostar num bicho fraco encerra a luta na hora, sem abrir a tela de combate.
Mother 2 tirou o RPG do castelo e o pôs no quintal de um subúrbio.
O humor e o medo
O pai de Ness nunca aparece na tela. Ele só existe no telefone: é para ele que o jogador liga para salvar a partida, e é ele quem deposita dinheiro na conta do filho.
Pelo caminho há uma banda de jazz presa a um contrato abusivo, um culto que pinta tudo de azul e um vizinho chato chamado Pokey, que começa como piada e termina como um dos vilões da história.
O final é outro tom. Giygas aparece como um borrão vermelho que se mexe sem forma, e as armas do grupo não fazem efeito. A vitória depende de oração: Paula reza, e a reza chega até a pessoa sentada na frente da televisão, chamada pelo nome que digitou no começo.
Itoi contou em entrevistas que a cena nasceu de um susto de infância, quando entrou na sala errada de um cinema e assistiu a um filme de suspense japonês feito para adultos.
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